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Espaços, Materialidades e Teatralidades

Atualizado em 14/11/17 16:45.

Professores:

  • Eduardo José Reinato
  • Lisandro Nogueira
  • Robson Corrêa de Camargo
  • Sainy Coelho Borges Veloso
  • Vânia Dolores Estevam de Oliveira
  • Renata de Lima Silva
  • Izabela Tamaso

Ementa:

Espaços Materialidades e Teatralidades

A linha de pesquisa Espaços, materialidades e teatralidades insere-se no âmbito dos estudos das performances culturais nos aspectos práticos e da experiência. As performances e os rituais privilegiam o fazer e o agir, reforçam o contexto, admitem o imponderável e a mudança, veem a linguagem em ação e a cultura em ato, em sua singularidade e em seus aspectos comparativos. Na dinâmica da experiência a performance coloca-se como momento da expressão humana, completando-a, representação e ação em representação. Espaços, materialidades e teatralidades privilegia a práxis da performance sob o aspecto temporal e espacial em suas coincidências, diferenças e determinações. Considera que o tempo imputa duração e ruptura, continuidades e transformações, lembranças e esquecimentos, repetições e excepcionalidades. Nesta perspectiva, o espaço congrega, recepciona e interage com o tempo, ressignificando as ações nele percebidas. Como elementos plurais e polissêmicos enfatiza as materialidades presentes em objetos, edifícios, ruas, cidades, telas, palcos, terreiros, corpos e atos.

A compressão espaço-temporal da sociedade contemporânea, em sua manifestação como performance, proporciona leituras que extrapolam o âmbito das oposições e possibilitam a apreensão de significados múltiplos até então imperceptíveis, porque presos às bordas. Essa liminaridade latente em estudos e pesquisas sobre espaços e materialidades pode ser capturada nos processos e nas ações urdidas pela teatralidade. A questão da teatralidade na arte e na cultura é tratada desde os gregos, que viam na produção artística grande valor educativo. A teatralidade é o arcabouço prático teórico do fenômeno performático. Investiga as teatralidades como linguagem em ato, teatralidade espetacular, concisa, dupla, múltipla, ambígua que se apropria do real em cantos e danças, representação e na realidade que percorre os séculos, carregando a tensão dialógica entre o real e sua representação, sua mimese.

O teatro produz mimese, uma falsificação do real. Uma metáfora do real, que pertence ao real. Uma tentativa falsa de provocar o Real. O real presentificado e representado. A teatralidade ambígua e icônica, assim como o mito, apresenta a falha entre a realidade e sua representação, podendo também ser realidade, quando esta é ultrapassada pela representação. É um conceito proteico, um termo cultural interdisciplinar e não uma categoria estética, um método e uma categoria de análise. Contém o real e sua representação.

A teatralidade é uma forma de percepção e de presentação, forma de apresentar o real para torná-lo estético, uma espessura de signos e sensações. O real em forma estética. Constitui-se, assim, como percepção ecumênica dos artifícios sensuais, gestos, tons, espaços, substâncias, sonoridades, luzes, aonde imerge o texto e o emerge em sua linguagem. A teatralidade é o movimento de construção do ato constitutivo imagético, não se encontra apenas no olhar, nos espaços e vazios dos espectadores e produtores, mas se dá na relação dinâmica e cultural objeto, sujeitos, objeto. Impregnado de culturas e histórias determinadas pelo presente e abertas a outras interpretações futuras, imerso na teia da cultura. Desta maneira, esta linha de pesquisa investiga, por meio das materialidades expressas em espaços físicos e culturais, as teatralidades performáticas em ato, relaciona-as e considera-as como meios para análises que tratam das performances em sua amplitude estética, semântica, social e cultural. Com foco nas práticas dos fenômenos performáticos, explora a dinâmica das teatralidades nas materialidades e nos espaços que as constituem.

Como descreve Milton Singer: a análise das performances culturais em seus elementos constitutivos pode atuar de forma análoga (complementar ou contraditória) ao estabelecido pelos elementos da organização social no conhecimento de determinado fato  cultural, exceto que, nestes casos, os dados objetivos serão aqueles constituintes das próprias performances (canções, danças, movimentos, tensões, personagens etc.) e não  apenas os papeis ou o status daquela sociedade. Estas duas formas de análise, a cultural e  a social, resultam num levantamento de uma dupla estrutura da tradição (Singer 1972 xiii).

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